A trajetória de Graciliano Ramos configura um universo de temas, problemas e técnicas trabalhados e retrabalhados de modo obsessivo pelo autor perseguindo um ideal de realização literária. Mas a literatura não é fim em si mesma, nem se pode dizer que seja meio ou instrumento. Ela é, tudo indica, um método, o da verossimilhança, método de conhecimento da realidade. O universo literário que leva o nome “Graciliano Ramos” se constituiu obra por obra, mas só se completa em visada retrospectiva com base em Memórias do Cárcere. A trajetória é agora relida, de trás para frente, retroprojetada. Empreende-se, assim, a releitura das obras anteriores, como se elas existissem para chegar ao texto memorialístico. Memórias que são de um escritor, as Mc realizam-se como uma obra de textura ricamente literária, em que as diversas técnicas trabalhadas com extrema maestria pelo autor aparecem aí problematizadas de modo implícito ou explícito, o que estende a pergunta pela identidade ao terreno dos gêneros. O livro é, assim, uma ampla interrogação sobre o sentido vital da literatura. Volta-se sobre si mesmo, mas sem se esgotar nessa função metalinguística porque a pergunta que faz é sobre a função e o sentido que a literatura pode ter no mundo. Em nenhum momento o leitor pode esquecer que se trata de um testemunho. O sentido metalinguístico não se completa sem a referência aos acontecimentos. Por outro lado, o testemunho não se dá diretamente e inclui a pergunta sobre sua natureza e função. Para chegar ao testemunho, é preciso que se passe pela discussão literária, da mesma forma que, para chegar a ela, é preciso assumir o testemunho.
| Peso: | 336 g. |
| Páginas: | 220 |
| ISBN: | 9788523004903 |
Editora UnB - CNPJ n° 00.038.174/0019-72 - UnB, Centro de Vivência - Asa Sul - - BRASILIA - DF
Usamos cookies em nosso site para fornecer a experiência mais relevante,lembrando suas preferências e visitas repetidas. Ao clicar em “Entendi”,concorda com a utilização de TODOS os cookies.