Algumas das argumentações de Marx podem parecer ao leitor não iniciado bastante discursivas, confusas ou metafísicas. Na verdade, essa impressão surge em consequência da falta de hábito de se abordar fenômenos demasiadamente habituais de maneira científica. A mercadoria se tornou tão onipresente, costumeira familiar em nossa existência diária que nós, embalados para dormir, nem mesmo tentamos considerar por que os homens renunciam a objetos importantes, necessários para sustentar a vida, em troca de minúsculos discos de ouro ou prata (i. e. as moedas metálicas) que não têm nenhuma utilidade terrena. A questão não está limitada às mercadorias. Todas as categorias (os conceitos básicos) da economia de mercado parecem ser aceitas sem análise, como evidentes por si mesmas, como se fossem a base natural das relações humanas. No entanto – embora as realidades do processo econômico sejam trabalho humano, as matérias-primas, as ferramentas, as máquinas, a divisão do trabalho, a necessidade de distribuir produtos acabados entre os participantes do processo de trabalho e assim por diante – tais categorias como mercadoria, dinheiro, salários, capital, lucro, imposto e semelhantes são apenas representações semimísticas nas cabeças dos seres humanos dos vários aspectos de um processo econômico, o qual eles não entendem e não está sob seu controle. Para decifrá-los, é indispensável uma análise científica completa.
| Peso: | 308 g. |
| Páginas: | 296 |
| ISBN: | 9786557134894 |
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